Dia Mundial da Pessoa com Alzheimer.
Infelizmente contacto com a doença de perto e posso testemunhar quão difícil é encarar essa dura realidade. O início dos sintomas visíveis custa de uma maneira inimaginável. É precisa uma força herculiana para ver que uma pessoa activa, que sempre nos habituou a ser um suporte familiar, se começa a esquecer das caras que vê todos os dias há uma vida – é o que custa mais.
Senti isso quando o meu Avô me sorriu, como todos os dias, e reparei que discretamente perguntou quem eu era. Começava a perder o conhecimento das pessoas, a mostrar-se frágil, coisa que até aqui nunca tinha conhecido. E desde então foi um galopar, já lá vão uns anos aos quais perdi a conta pois agora vive-se o dia-a-dia.
A nossa vida com ele passou a ser em função dos seus tempos, das manias que vão surgindo e desaparecendo, sendo substituídas por outras, das suas capacidades e incapacidades. A missão é estimular e tentar atrasar o mais possível aquele destino que temos que encarar com a maior lucidez e racionalidade.
Mas isto não é fácil para toda a gente que o rodeia. E conviver com a doença desgasta. É uma luta diária que muitas vezes une mas outras vezes cansa, um processo gradual com muitas recaídas. Uma verdadeira montanha russa.
Nos dias de hoje, pelo avanço da medicina, tende a aumentar a esperança média de vida o que acredito ser causa da maior incidência da doença e, ao mesmo tempo, a maior consciência dela em todos nós. Quem quiser perceber melhor do que se trata, pode entrar nesta Viagem ao Cérebro e visitar a Associação Alzheimer Portugal onde, em caso de necessidade, se pode encontrar ajuda para alguns dos problemas com que nos vamos deparando todos os dias convivendo com a doença.
Para que todos possamos, mesmo não tendo ninguém conhecido/amigo/familiar com a doença, fazer com que a vida das pessoas que dela padecem e os seus familiares seja mais fácil, tendo conhecimento do que se trata, dos sintomas, das consequências, preparando a sociedade (a nível de relacionamento interpessoal e infraestruturas) para cuidar daquele que será um problema cada vez maior no futuro.