28 08 2009

Várias são as noites em que acordo e espreito o telemóvel, a caixa do correio dos tempos modernos, onde espero a tua carta de amor.

Ontem não veio. Nem anteontem. Nem no dia antes e no outro. As lágrimas caem e o coração aperta como se uma corda áspera o cortasse, ferindo fundo. Digo que não, que não vou aguentar jamais um segundo dessa vida que não é vida. Quero, preciso… Os teus abraços, os teus «vai ficar tudo bem», os teus «adoro-te», os teus «hum», os teus beijos e desejos… Esse sorriso que tenho saudades de ver e me traz a paz, eu preciso dele. E sem isso, como vai ser? Descrente volto a deitar a cabeça na almofada já molhada. E o sono não vem, a mente viaja por entre ondas vivas.

Hoje chegou. E as lágrimas caíram pela cara, em cascata. Uma a seguir à outra, gotinhas de felicidade e saudade. Vieste meigo como sempre, apaziguaste-me a alma, trouxeste-me os teus problemas, a partilha dos sentimentos, a preocupação com quem deixaste tantas horas que já foram de imensa cumplicidade – e continuam a ser, apesar de tudo. Fizeste-me sentir que, todas as noites em que olho para o céu, aquela sensação de que algures tens os olhos postos nele é verdadeira. «Eu nunca me esqueço de ti.», ouço. Eu sinto isso… Fazes parte da minha vida e «tanto» é tão pouco para te explicar. Esse «tanto» que se perde de vista, para lá do horizonte onde o sol se põe.

E tudo isto se repete e eu digo que não quando, por dentro, só digo «sim». E sussurramos, ao mesmo tempo, aquele «tanto». Tantas saudades e tanto que te adoro…

… onde só chega quem não tem medo de naufragar.

Mafalda Veiga





24 08 2009

Extreme makeover.

Tentamos ser menos daquilo que podemos ter a mais. Mas algum dia conseguiremos ser o que não somos?

Sou esdrúxula, não conseguirei nunca sê-lo menos.





19 08 2009

Quem percorre a Avenida dos Aliados por estes dias, até 31 de Agosto, encontra uma multidão estática. É a exposição Homem T.

Um Homem utópico

Que se pode tornar real,

Se lutarmos por ele…

Um Homem verdadeiro nas suas convicções,

Um Homem que aceita o outro como se aceita a si,

Um Homem que se respeita o outro como como se respeita,

Um Homem que luta pela sua felicidade e a dos outros,

Um Homem que é sensível e não tem medo de mostrar essa sensibilidade,

Um Homem que é Homem, Mulher, ou outro, que é branco, negro ou outro,

Que é tudo ou nada, mas faz parte de uma sociedade inclusa de todos e para todos.

Jorge Oliveira (Presidente do Espaço T)

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Depois de ter visto toda a avenida emaranhei-me pelas ruas da baixa e eis que encontro dois destes homens que resolveram vestir uma roupinha mais composta, dar corda aos sapatinhos, e já iam de fugida quando provavelmente pararam para descansar!!!!

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18 08 2009





16 08 2009

Encontros.

É tudo o que me tem feito sorrir…

Os nossos abraços a 500 quilómetros de distância.





15 08 2009

Vem buscar-me…

Leva-me contigo…





15 08 2009

Momentos Kodak… sem Kodak.

I

Culturalidades…

Estava eu a comer o meu bifinho com batatas fritas num restaurante, ao almoço, e na mesa ao lado um casal de espanhóis experimentava a tão tripeira francesinha. O pão, a carne, o molho, tudo ladeado por uma bela dose de batatas fritas… «Mui buena», ouvia. Estava orgulhosa pela minha cidade estar a receber tão bem gastronomicamente. Concentrei-me na minha refeição pois a fome, ainda assim, era maior que o orgulho! Qual não é o meu espanto quando,  numa olhadela de soslaio, vejo que o señor a tomar, em vez do nosso cimbalino, uma bela meia de leite! Depois de uma francesinha!

II

Há amores assim…

Entrei na livraria Bertrand para espreitar as novidades. E como fundo escutava a conversa do funcionário da livraria com um rapazinho, na caixa. Não lhe dava mais de 5 anos e tinha uma deliciosa forma de falar, as palavras bem ditas e pausadas…

- Queres que embrulhe o livro para ti? – perguntou o funcionário.

- Pode ser, para eu dar à minha mãe. Ela é a melhor do mundo!

- Não é, não. A melhor é a minha.

- Ai não, não. A minha é que é a melhor do mundo, ela até faz panquecas!

Perante o riso geral e a rendição do seu adversário naquela competição, ainda acrescenta graciosamente o rapazinho:

- Ah, toma, apanhei-te!





15 08 2009

Das “amizades”.

Uma coisa são as amizades e outra são as “amizades”.  Às vezes tenho vontade de apagar da lista uns quantos contactos. São pessoas de quem gosto, que considero naquela caixinha das amizades. Relações que um dia foram fortes, intensas, como sinto sempre os meus amigos… Mas depois a vida muda e sob a capa da vida ocupada deixam de se lembrar que existimos mesmo quando lhes fazemos sinais de fumo. Tornam-se “amizades”.

Sempre que reencontro uma das minhas “amizades” fico, contudo, feliz. Dizem que a esperança é a última a morrer e eu, secretamente, mantenho-a, a esperança de que esse dia marque a viragem, que voltemos a ser aquilo que fomos um dia. Porque também eu era ocupada mas nos elogios que me davam sempre estava aquele «és uma amiga sempre presente». Teimo em pensar que um dia voltarei a ter os meus “amigos” presentes. Não sempre, não peço tanto, mas presentes.

Dá-se o reencontro. «Desculpa, tenho andado ocupado.», sussurro ao mesmo tempo que o “amigo” profere tal introdução. Sei de cor esta história. Segue-se o costumeiro «E está tudo bem contigo? E novidades?». Sim, “amigo”, está tudo bem comigo e novidades há muitas desde que há meses, quiçá anos, decidiste ser ocupado de profissão. E até senti a tua falta nas alegrias e nas tristezas. «Pois é, já há muito que não falamos, mas tu sabes que eu gosto muito de ti e podes contar comigo sempre que precisares.», remata.

Será que sei? Quero acreditar que sim, que posso contar. Mas na verdade os “amigos” tornam-se um número a mais no telemóvel, no meio dos conhecidos, pelo qual se passa e nem nos lembramos de carregar na tecla verde. Amigo não é um estatuto vitalício.

Dizem que a vida é assim. Mas posso levar a mal que assim seja, posso?! Obrigada pelo direito à indignação.





14 08 2009

Hoje voltei ao local onde se encontra Julian Beever a demonstrar a sua arte. Talvez não seja o trabalho mais espectacular no meio de outros tantos que ele compila no seu site e que correm mundo nesse grande canal que é a internet. Mas ao vivo tudo se torna mais incrível.

O desenho está pronto. A corda está posicionada para que todos possam ir lá dar o ar da sua graça e levar consigo uma recordação do dia em que puderam ser parte de um desenho feito no chão da rua.

Cheguei e foi com um sorriso que vi que todos os rabiscos que tinha fotografado e pouco percebido in loco na quarta-feira se tinham transformado em cor. E ainda sem o impacto da perspectiva correcta já observava os pormenores deliciosos. O desenho traduz fielmente texturas, isso fascinou-me.

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Pouca gente se concentrava no local e por isso a minha vez chegou rápido. E  subi os dois degraus para espreitar pela máquina fotográfica que se encontrava posicionada no sítio de onde nunca saiu. Brilhante! A perspectiva estava lá, a noção de profundidade, como se estivesse num barco, ao lado do cais, a observar alguém a puxar o caranguejo.

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Mais palavras para quê?!





12 08 2009

Há dois dias que se abriu a torneirinha que tenho lá dentro dos olhos e não quer secar. Porquê? Não sei. Temo que seja algo mais forte que eu em certos momentos, revisitado… A mente viaja por entre sinuosos caminhos e, trôpega, lá me arrasto na tentativa de ser mais forte que esse je-ne-sais-quois que me invade até às entranhas. Cá ando, na grande certeza que da próxima vez que vir o Tejo serei mais feliz…

E hoje que chovem estrelas certo é também o desejo que vou pedir com toda a minha força e querer. Com as mãos junto ao peito, os meus dedos entrelaçados neles mesmos, baixinho como se ao teu ouvido falasse, sussurrarei aquilo que quero… Só tu e o céu saberão…