Várias são as noites em que acordo e espreito o telemóvel, a caixa do correio dos tempos modernos, onde espero a tua carta de amor.
Ontem não veio. Nem anteontem. Nem no dia antes e no outro. As lágrimas caem e o coração aperta como se uma corda áspera o cortasse, ferindo fundo. Digo que não, que não vou aguentar jamais um segundo dessa vida que não é vida. Quero, preciso… Os teus abraços, os teus «vai ficar tudo bem», os teus «adoro-te», os teus «hum», os teus beijos e desejos… Esse sorriso que tenho saudades de ver e me traz a paz, eu preciso dele. E sem isso, como vai ser? Descrente volto a deitar a cabeça na almofada já molhada. E o sono não vem, a mente viaja por entre ondas vivas.
Hoje chegou. E as lágrimas caíram pela cara, em cascata. Uma a seguir à outra, gotinhas de felicidade e saudade. Vieste meigo como sempre, apaziguaste-me a alma, trouxeste-me os teus problemas, a partilha dos sentimentos, a preocupação com quem deixaste tantas horas que já foram de imensa cumplicidade – e continuam a ser, apesar de tudo. Fizeste-me sentir que, todas as noites em que olho para o céu, aquela sensação de que algures tens os olhos postos nele é verdadeira. «Eu nunca me esqueço de ti.», ouço. Eu sinto isso… Fazes parte da minha vida e «tanto» é tão pouco para te explicar. Esse «tanto» que se perde de vista, para lá do horizonte onde o sol se põe.
E tudo isto se repete e eu digo que não quando, por dentro, só digo «sim». E sussurramos, ao mesmo tempo, aquele «tanto». Tantas saudades e tanto que te adoro…
… onde só chega quem não tem medo de naufragar.
Mafalda Veiga





