A dose mais forte e lenta de uma gente que ri quando deve chorar…
Milton Nascimento
Estou presa entre três parágrafos. Há dias em que escrever sobre o que quer que seja me mói a alma. Tenho andado assim mesmo: desfeita, esmigalhada, moída. Não saem emoções, não saem conhecimentos, não sai nada que não suspiros à espera de um algo-que-caia-do-céu.
Há uma semana que adio dissertar sobre o seminário que tive na sexta passada. Foi algo interessante, de uma área que até vai de encontro aos meus gostos, mas abrir o Word e olhar para a folha branca à espera dos meus dedos a bater nas teclas certas exasperava-me. Estou presa entre três parágrafos, claustrofóbica, e uso de todas as artimanhas e mais algumas para daqui sair.
Dou por mim a rir-me de mim mesma! Phones nos ouvidos, volume no máximo, repeat mode… E passo de Viva la Vida (Coldplay) para Butterfly (Jason Mraz) e salto para Butterflies and Hurricanes e Starlight (Muse), depois So What (Pink), Shine on you crazy diamond, Another brick in the wall e Hey you (Pink Floyd) numa espécie de tortura… Falta fazer o pino a ver se as ideias afluem mais facilmente à cabeça – dizem que a descer todos os santos ajudam!
Começam a despertar em mim tendências psicopatas… E um mosquito que o diga (ou já não diz nada), que se perdeu de amores pela starlight artificial que me ilumina o encéfalo!
Aprendida a lição de não deixar vestígios como o Dexter Morgan, lá terei que voltar à empreitada! Se não der mais notícias, morri entalada entre o texto e as margens da página na tentativa desesperada de fuga!!
