A Teoria da Laranja, de Ricardo Oliveira, revisitada.
2 laranjas, 4 metades. Dou-te metade da minha, dás-me metade da tua. Cada um espreme a metade que lhe calhou, avidamente, com vontade de sorver todo o sumo pois ele é doce. Os pingos começam a cair num compasso mais pausado, talvez se anteveja a necessidade de voltar a semear, para colher depois, porque tudo é feito de novos começos, com laranjas preferencialmente mais sumarentas e ainda mais doces. Olho para a minha mão, tenho meia laranja comigo, que me pertence e deveria pertencer, como reserva. Impulsivamente estico a mão e ofereço a metade que resta e vejo-a a ser espremida. As gotas reluzem e apressam-se, mais e mais. E nas minhas mãos: nada. Nem mais uma gota, nem mais uma sequer. Em pânico aperto a meia laranja que tenho, murcha, com esperança de um oásis no deserto seco e árido.
Para que o sumo escorra sempre, basta querermos.
