30 11 2008

Blindness.

Talvez por puro preconceito nunca peguei num livro de José Saramago – cegueira.

Ontem fui com a A. e a M. ver o filme Blindness – Ensaio sobre a Cegueira. Já me tinham falado dele com boas referências e na hora de escolher entre esse e o Madagascar 2, acedemos à sugestão. O rapazinho da bilheteira facultou-nos os sorridentes bilhetes e lá fomos expectantemente cegas! Não há tempo para gelados e pipocas, o filme há-de estar a começar.

Diferente. Foi a primeira palavra que me passou pela cabeça. A fazer lembrar o The Hours que curiosamente vimos juntas também e que sempre foi motivo de piadas entre nós. Mas estava a gostar especialmente das imagens brancas, de todo o jogo de luz e escuridão. Procurava um sentido para tudo o que via e milhões de hipóteses se abriam.

Veio o intervalo e a impaciência tomava conta de mim. Maldita pausa! Vaticinava um desfecho, uma explicação para todo aquele caos, à boa maneira de quem vê uns quantos filmes pouco surpreendentes.

Suspense. Até ao fim. Primeiras palavras: «e agora o resto vimos ver amanhã, é?!».

Ainda foi preciso uma bolacha com chocolate quentinha do Zé da Tripa para dar corda ao cérebro. E aí começo a rever o filme. Analiso as minhas cegueiras. Faz todo o sentido!!!

Vejam o filme.





27 11 2008





22 11 2008

Na corda bamba.

Olho-a com medo. É tão fina, penso, e tão alta… Eu sempre tive medo das alturas, e fui controlando isso, mas desde que caí, uma vez, custa-me só de olhar. Não imagino os meus pés, um após outro, a percorrerem aquela linha que chega a parecer imaginária. Um passo em falso e…

Vou subir… Sem rede. Loucura? Sim, muita.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

Álvaro de Campos





19 11 2008

Farta de estar acordada.

Em frente à pilha de folhas, olho-a e torno a olhá-la com um torcer de nariz. Não me dizem muito. Não tanto como a minha almofada fofa e companheira que me sustenta o pescoço que cede com o peso de pensar. Um cachecol e uma manta quentinha tentam, artificial e infrutiferamente, dar-me o conforto para estar. Mas a alma resiste tão mais que os olhos que teimam em fechar. E vozes ecoam-me na surdez.

Vão queixume que de mim não se compadece. Resta-me o sonho. E destruo a pilha de papel, calo as vozes…. Um pavio vela-me, a noite cai. O teu «boa noite» afaga-me o peito. E sorrindo, adormeço. Tão meu desejado sonho.





17 11 2008

Poucos se lembrarão de “Uma página de história”. A minha, contada por mim, tão semelhante a esta e tão diferente, que marcou uma fase da minha vida que já lá vai. Mas há coisas que se mantêm, feliz ou infelizmente. Resolvi recuperar um texto escrito em 5 de Abril de 2005. Porque me apeteceu!

Já Adam Smith dizia que era pela racionalidade dos agentes de uma sociedade expressarem os seus egoísmos que tudo chegava ao equilíbrio. Mas será que isto se aplica a todas as relações interpessoais?!

Não me parece. Por vezes os egoísmos são tão marcados que não importa que passemos por cima de alguém, como que um carro que pisa o pé de um transeunte, só para não abrandar na passadeira. Vejo isso nas mais pequenas atitudes de todos os dias. Contento-me? Nem por isso. Não gosto de ver a sede cega de avançar sem se pensar que vivemos rodeados de pessoas que podem não ter por base essa racionalidade intensamente castradora de afectos, ligações.

É este o mundo onde vivemos. Estaremos equilibrados assim? Certamente sim, na cabeça de quem tem ideias destas. Mas e o grupo dos que não olham para o próprio umbigo apenas?!

Experimentei olhar, quem sabe não seja a atitude melhor, o rendimento à maioria cujo horizonte se figura num pequenino buraco tapado que se formou na nossa barriga. E o que vi? Vi mais além, vi os meus pais e a educação que me deram, vi os meus avós e os valores que me transmitiram, vi que, mesmo contra muita gente, quero continuar a acreditar que viver para os outros também é coordenável com o viver a minha vida.
E mudarei assim a teoria clássica que o nosso amigo Adam Smith, tão importante na ciência económica, nos deixou. Para toda a regra, há uma excepção. Sonhei que a excepção era o egoísmo.





17 11 2008

De que vale pensar se tudo o que se pensa é isto? Palavras soltas justapostas, temporais, infrutíferas.

De que vale não ter esperança se o dia nasce de novo amanhã? Acredita.

De que vale pensar na morte se nem é solução? Vive.

Liberdade.





12 11 2008

You can turn off the sun but I’m still gonna shine …

Because

The remedy is the experience.

Jason Mraz

 





10 11 2008

Nada melhor que um domingo à noite para sonhar com uma ida à Broadway para me perder em musicais como o Fantasma da Ópera. Nesse dia lembrem-se de avisar à entrada para levarem galochas pois, pela amostra, eu vou inundar o espaço com baba e ranho, doses industrialmente maiores do que estas nas quais me encontro atolada no momento.

Se há coisas para aproveitar nesta vida, esta será uma delas: sonhar ainda não paga imposto.





9 11 2008

O desvio.

I

(des)arrumações.

Encontrei coisas que não queria ver, que não lembrava existirem. Inevitavelmente vieste-me ao pensamento.

Não sei por que razão ainda és causa das minhas linhas. Tiraste-me da tua vida, definitivamente. E eu assim também o fiz. Porque em mim és apenas morte, és passado apenas preso por um fio, um fio de revolta que ainda não consigo calar. Sim, talvez seja isso que ainda me faz pensar.

A tua cara já não se materializa na minha cabeça, já não sinto o teu toque, a barriga já não aperta quando passo junto à torre (a nossa que nunca foi nossa; foi minha com outro tu)… Só, na lembrança, tão ardiloso embuste. Incrédula, ainda olho para trás. Revolta-me… não o seres isso que te revelaste mas sim o meu abrir de asas e certeza, tão certa, de que podíamos voar. Eras, afinal, uma avestruz que, apesar das asas, nunca voou e nunca voará enquanto fores um não ser, um parecer…

Sem saberes… inventaste-me um céu negro, sem estrelas, onde me atormentava a dúvida do nascer do sol de manhã. E assim mudaste as últimas peças do puzzle.

Como isto me revolta…

||

E olho-me ao espelho.

- Olha para ti. Vê o que és. Vê, sente. Com a mesma certeza que tinhas de voar. Agora sozinha. Voa!

E, no mesmo segundo, voei…

Que a noite traga alivio imediato … E que os muros e as grades caiam.

(Engenheiros do Hawaii)





7 11 2008

Humor.

Ontem, já o frio se entranhava nos ossos e a cabeça pedia time out, deitei-me a ler a revista Sábado. Falava de casas de uma arquitectura diferente, algumas bem curiosas e, claro, não passava ao lado do assunto BPN. E no meio um artigo by Nuno Markl, com tudo o que isso tem de intrínseco. Falava do drama que eu conheço bem: o filme que é andar de tacões! Tudo em nome da elegância! Deixo-vos o vídeo, mas recomendo a leitura do artigo pois as palavras trazem o toque de comicidade que o vídeo não transmite.

Poesia.

O blog de José Luis Peixoto que constará ali ao lado. Ele que escreve de sobre si… e tantas vezes sobre mim.