31 07 2008

É festa na terrinha.

Já se iniciaram as comemorações religiosas e não só. Cá para mim, as comemorações resumem-se a uma roullote de farturas e churros mais perto de casa, pronta para satisfazer os meus desejos de açúcar. E assim foi! Aliás, a esta hora que vos escrevo ainda lambo as beiças… soube-me pela vida!!!

Mas minto se digo que vivo esta época de ânimo leve. Sempre que percorro as ruas mais desertas que há alguns anos atrás lembro-me do que era a romaria quando eu ainda era pequena. Quanto me diverti, passeada pela mão do meu «Bu Polónia». Sempre fui a menina dos avós!

Hoje recordo com saudade esses tempos. O meu avô vivia a festinha com muito entusiasmo. Sempre activo, envolvido nas organizações de tudo, quando me passeava com ele pela rua sentia orgulho pois cedo percebi que ele era alvo de muito respeito por parte de todos. Pertencia aos bombeiros voluntários, dinamizou a fanfarra, dava-se aos outros com a mesma entrega que aos familiares. Ainda hoje, embora no mundo dele já não exista nada do que o rodeia, emociono-me quando ouço os outros falarem desse homem que para mim é um exemplo e com quem tive a sorte de conviver grande parte da minha vida.

Felizmente ainda posso olhá-o e, mesmo que saiba que aos olhos dele já não sou a neta que ele sempre acarinhou, ainda posso ver-lhe um sorriso puro que tanto amo ver.

Humildade, trabalho, altruísmo, carinho, talento – são as palavras certas.

«Bu»

Durante muito tempo foste como meu pai, educaste-me enquanto os pais trabalhavam para que eu fosse o que sou hoje, foste o meu companheiro nas tramóias para enganar a avó quando eu não queria comer e enfrentava as ameaças dela de não sair de casa para brincar, foste aquele que me ensinou na prática todos os valores que hoje me orgulho de ter.

Hoje espero retribuir tudo isso. Para que tenhas a mais digna das vidas do alto dos teus 80 vividos anos. E desejo continuar a ver-te sorrir, enquanto souber que esse sorriso é limpo de dor e sofrimento. Mesmo que não sintas como nós, só quero que sejas feliz no meio das pessoas que te amam e que tu amas sem a consciência disso.

Tanto havia para falar de ti, tanto havia para agradecer ter aprendido, teres ensinado com a leveza dos dias passados a ouvir-te contar histórias sobre a tropa, o tempo de miúdo. O teu jeito para o desenho, a tua habilidade para os arranjos de tudo o que se possa imaginar, o teu gosto por ópera – recordarei para sempre as tardes em que te sentavas ao pé do gira-discos e ali ficávamos a ouvir todos aqueles discos de vinil que hoje guardo como o maior tesouro.

Orgulho-me do que aprendi contigo e, acredita, sempre que tiver que fazer algo na minha vida lembrar-me-ei de ti, da tua dignidade e da dádiva que foste para os que se cruzaram contigo.

Amo-te «Bu». Os meus olhos jamais se cansarão de te mostrar isso.





28 07 2008

Winning a battle, losing the war…

Ainda te ouço os acordes destreinados e a alegria infantil com que me mostravas que os dedos não se moviam na mesma cadência da vontade. Ouvia-te como se fosses o mestre Paredes mesmo que saísse um som desafinado. Ainda sorrio quando recordo os nossos risos pela tua pouca queda para cantar e dançar! Desajeitado, brilhavas-me nos olhos. Sonhava um dia voar ao teu lado, ver-te lá no alto, onde a tua paixão dita. Por serem sonhos teus que passaram a ser meus… Por ser assim tão amor…

Por não saber caminhar sem ti, corro com ânsia de chegar a um porto onde o medo não seja rei. E pelo caminho perco ainda mais do que até aqui. Por não querer sentir. Porque dói o pulsar do meu coração. Ele vive apenas o que já foi… Por ser tão seguro e tão feliz… Por ser assim tão amor… demais…





28 07 2008

Celebration.

Conheci a H. no secundário, ainda tínhamos sonhos de adolescentes. E os dela realizaram-se! Depois de ter assistido ao início, depois de muitos, muitos mesmo, anos de namoro, finalmente casou-se! Foi uma sensação parecida com aquela que senti quando fui ao casamento da M.: estamos crescidos!!!!

No Douro, a paisagem convidava a perder os olhos.

Tchim tchim…





23 07 2008

O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões – a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim.

A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência. Há inteligências inconscientes – brilhos do espírito, correntes do entendimento, mistérios e filosofias – que têm o mesmo automatismo que os reflexos corpóreos, que a gestão que o fígado e os rins fazem de suas secreções.

Mea culpa. Mas será que temos que desconfiar a toda a hora de tudo e todos? Não o sei fazer assim. Para valer a pena tem que existir fé. E não concebo definir fé sem que seja cega, alheia a indícios que só «os de fora» vêem. Está-me no sangue esta miopia do coração que dos gestos esfumados vê o contorno e por aí acredita.

O peso de sentir! O peso de ter que sentir!

Excertos de Livro do Desassossego – Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa





15 07 2008

À Gi.

Um espaço deixado em branco teria que ser entendido como uma explosão de felicidade, feita da mesma luz que trouxeste à minha vida. Porque há muito a dizer, mas muito poucas palavras capazes de exprimir tudo.

Foi um percurso que assemelharia a uma subida ao Evereste. Com subidas e descidas, aclimatações, pedras que rolam quando julgávamos ter os pés bem seguros, e o cume lá ao longe, a parecer sempre isso – muito longe. A persistência e o desânimo a fazer braço-de-ferro.

Mas a persistência ganhou. Brilhantemente. Merecidamente! Assim resumido, pois estar a descrever todos os «porquês» seria tarefa impossível.

Parabéns, minha pequenina.

Aqui guardo aquele xi, para um dia destes to dar, com aquela lagriminha (ona) marota que se escapa quando em ti vejo felicidade.

Uma nova fase aí vem. Mais felicidade. Muita. Só felicidade!

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel.

(…)

- “Roda, roda, carrossel
Roda, roda, rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor”.

(…)

- “Roda, roda, carrossel
Gira, gira, girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol”.
(…)

Vinicius de Moraes





11 07 2008

Shame on me!!

Mas neste momento se alguém me quiser ver feliz traga-me uma fartura quentinha! Não vá a criança nascer com os cabelos em pé!!!

Imagem retirada daqui.

Update:

E se não fosse a minha querida mãe, que me trouxe ao mundo para ser feliz, bem que nascia mesmo!
Exteriorizei o meu desejo (com a ressalva: não, não vais ser vóvó!!) e muito prontamente me disse: vamos amanhã ali ao São Bento buscar umas farturas!

YUUUPPPIIIIIIIIIII!!!!!!!

Ninguém quer, pois não?!





7 07 2008

ÚLTIMA HORA.

A tragédia, o drama, o horror!

Fulaninho de tal acaba de confessar ter saudades da faculdade de onde acaba de sair com o título de mestre. E como aqui há de tudo, como na farmácia, presto a minha devida homenagem ao masoquista, que por acaso, mas só por acaso, é meu amigo. Para ti, as papoilas saltitantes. E vénias aqui da menina!

Mais informo que se encontra terminada a nossa amizade pois eu não aguento a dose: engenheiro+lisboa. Quanto à história do fundo de desemprego, o mais que te posso arranjar é o jornal de hoje que, enroladinho, dá uma boa ajuda para arrumar carros! That’s what friends are for!!!





7 07 2008

Foi vielas que percorri descalça por entre os mistérios da noite e garrafas partidas de bebedeiras imensas. Ponte para uma outra margem, de onde saltei de braços abertos, mergulhando nas águas sujas. Foi pomba que, solitária, procura por migalhas no jardim onde se roçam vagabundos pelos bancos. Foi casa abandonada onde dormi, no meio do nada, no chão, vela acesa e uma janela de vidros partidos por onde o frio entrou. Foi, esquina sim, esquina não, uma puta que espera e respira a passagem dos varredores da rua, que recolhem vestígios da vida diurna. Túnel que só conhece a borracha queimada, fumo e buzinas ensurdecedoras. Foi canto que cheira a mijo, onde pela noite se deita uma alma pobre de amor.

E apesar de tudo foi cais. Foi rabelo tranquilamente embalado pela corrente. Foi cave de vinhos e sangue. Foi história. E ruas de gente frenética e castanhas a crepitar. Comboio a ir e a chegar. Sorriso que teima em não morrer. E beijos e abraços em cada recanto para sonhar. Não acordar. Não esquecer… o meu Porto.





7 07 2008

Tranquilamente a tarde começa com uma viagem mais longa do que o desejado. Mas lá chegámos.

De volta ao sítio onde já fui feliz!!!

Domingo de verão, imensa gente nas ruas, a praia composta por toalhas e guarda-sóis. Um café numa esplanada a dois passos da areia, dois dedos (ou a mão inteira) de conversa e o vento a fazer das suas! Um geladinho – o costumeiro Corneto! Seguiu-se mais conversa já em casa, no sofá, aquele sofá!!!

Já era quase noite quando voltámos a sair. Aqui a menina armada em pipi foi de saia, nem digam que estava frio, não digam mesmo nada!! Mas logo aquecemos com umas pizzas maravilhosas! Eu bem disse que estava com vontade de pizza! Gente maliciosa! Mais um café num barzinho e as últimas conversas com promessa de voltar!

E como no Furadouro é que acontecem os mais diversos fenómenos à noite, desta vez não vimos o tal badalo mas sim o carro da Perfuração Horizontal Dirigida. Do que se trata, não sei!!! Mas que é suspeito, é!!!

A viagem para o Porto foi tranquila e mais rápida! Foi um bom dia de dolce fare niente!





4 07 2008

A minha nova paixão: suar até não poder mais, imaginar alguém à frente e dar porrada «de criar bicho». Soco, pontapé, salto… vou aprendendo a técnica e a cada aula que passa a garra aumenta.

A semana passada experimentámos um novo cd. Até me senti mal! Hoje apliquei-me como nunca. Agora já sei controlar o coração e levar-me até ao limite sem cair para o lado! Brutal!!! Pesado mas fenomenal!! E ainda sobraram energias para me aplicar nos habituais abdmominais no final da aula. Cheguei aos alongamentos e teve mesmo que ser pois já dava cãibras. Aí é a paz!

Melhor não há para gastar energias. É libertador, alivia!

Para terem um pouco a noção do que falo, vejam partes da coreografia. Porque sentir, só fazendo uma aulinha para ver onde vai parar o coração quando acelera!!!

Precisava de um treino destes todos os dias. Até pode o mundo girar ao cotrário e andar aos trambolhões (como anda o meu mundo) mas esta hora é minha e não há nada mais que me atinja senão um pontapé ou outro do vizinho do lado quando a aula está cheia!!!