30 05 2008

Escolho a vida à morte. Porque sempre gostei de viver. Escolho seguir em frente.

["QUANDO EU MORRER" de Luís Vieira Campos - 2006]





30 05 2008

Ontem.

Foi um dia de loucos. Estudar precisa-se. Fiz tudo menos isso.

Bati com a cabeça contra um forte muro e, sem saber o que o outro lado reservava, espreitei por um buraquinho e vi sombras que me mostraram que todas as perdas são menores ao pé daquela que me deixaria num abandono real. Tive medo. Porque sou fraquinha nestas coisas e exagero, além da conta. Mas fui forte, diligente, maternal até.

[Para mim és aquela rapariga com quem falo sobre o meu mundo, sobre tudo o que atormenta e me deixa feliz, aquela que tenho como a minha verdadeira melhor amiga. Às vezes fazes o papel que a natureza te incumbiu, és aquela que me protege mesmo quando não quero ser protegida, aquela que se zanga quando eu, do alto dos meus 25 anos, ainda faço uma travessura, aquela que ainda pergunta «chegas tarde?» e ainda fica, por vezes, à espera que eu entre em casa. Pregaste-me um susto. E agora serei eu a chata que manda portar bem. Não gostei de experimentar ver-te assim. Não me faças outra destas tão cedo.]

Pensei.

Como já tinha vivido há umas semanas atrás, não quero sentir mais que algo ficou por fazer.

E há algum tempo que não leio tanto como gostaria. Esqueci-me dos grandes prazeres solitários que tinha. Desfoquei-me. Limitei-me a preencher viagens cujo único objectivo era o destino com alguns desfolhar-de-páginas. Vou voltar a emaranhar-me por entre letras que fazem correr outros mundos, outras vidas e até a minha.

Um desafio.

Vou perder-me no livro do (meu) desassossego.





27 05 2008

Máquina do tempo.

O futuro tem que ser inesperado. De nada adianta querer sabê-lo, tira toda a piada. Por isso a minha máquina do tempo levava-me ao passado.

Wembley, 1986 – e fazia parte do coro composto por aquele mar de gente que, sincronizado, grita o que mais desejo agora. Não imagino o que sentiria, penso que seria dos melhores momentos da minha vida.

É mesmo nestas horas que as palavras faltam porque há coisas que simplesmente não cabem em sílabas. Como a vida de um homem irreverente nos afectos, leviano nos actos, se torna o motivo da força de tanta gente hoje em dia, eu incluida. Ele teve a arte nas mãos, na voz, no coração. Um choque na época, hoje uma lenda. Uma pessoa que tão naturalmente escreveu a história de um mundo virado do avesso e a ele se rendeu, terminando da força mais traçoeira. O prazer que mata… Para nós, que hoje trazemos nas veias a majestosa música, tão grandiosos poemas, um prazer que ajuda a viver.

Não são raras as vezes que os dedos dele sobre o piano me embalam os pensamentos e aquela voz que ecoava no mundo inteiro me dá força para lutar.

O meu livro de cabeceira tem sido este:





26 05 2008

Sábado à noite. Perdida no parque de estacionamento da Casa da Música! A companhia era boa mas nem por isso mais orientada!!! Portas que não davam para lado nenhum, portas que davam para algum lado mas estavam fechadas… Finalmente conseguimos! Próxima paragem, um crepe fantástico, com tudo aquilo a que se tem direito. Babem-se: chocolate, chantilly, gelado de limão… Arf... arf… Segue-se um filme, riso total! Quote: «É a segunda coisa mais nojenta que alguma vez já tive no olho.» Como sempre, cinco estrelas! Obrigada!

Domingo. Mais uma vez perdidos, desta vez na estrada. Quando se inventa, por vezes a coisa não corre bem! Chegou-se ao destino, nem que para isso se tivesse levado o dobro do tempo. Sem pressa. Descansou-se o pensamento nas imensas nuvens que mais pareciam almofadas gigantes onde apetecia saltar bem alto e, despreocupada, deixar-me cair, de braços abertos e um sorriso na cara.

O mundo pára. E lembro-me de ti como uma faca, uma faca profunda, a lâmina infinita de uma faca espetada infinitamente em mim. Não passou muito tempo desde que a manhã nasceu. Passou muito tempo desde que me deixaste sozinho entre as sombras que se confundiam com a noite. Noutras noites, olhámos para a lua. Nesta noite, não olhámos para a lua. Noutras noites, olhámos para a lua e enchemo-nos de desejos. Nesta noite, não olhámos para a lua e sofremos. Noutras noites, olhámos para a lua e não sabíamos o que era sofrer. Escuridão e esperança. Na lua, víamos mais do que o reflexo daquilo que queríamos inventar: os nossos sonhos. Víamos um futuro que era maior do que os nossos sonhos e que nos envolvia e que nos puxava para dentro de si. Nós sabíamos que nos esperava algo muito maior do que aquilo com que podíamos sonhar. Estávamos enganados. Aqui, sobre estas pedras que brilham, sob estas lágrimas no meu rosto, sei que nos enganámos e sei a lâmina infinita de uma faca.

in Antídoto de José Luis Peixoto

O regresso ao Porto foi feito pelo caminho molhado da chuva que ainda não parou de cair. Lava a alma, apesar do escuro que imprime, lava a alma…





23 05 2008

Monólogo no divã.

(silêncio prolongado) … mas não deste tudo de ti?

Dei, tudo, o que tinha e o que não tinha.

Então, achas que deves ficar a pensar no que foi e no que podia ter sido?

Não. Mas… Não sei…

Não foi (ponto) Não será mais (ponto) Há coisas que não dependem apenas de nós.

Há alturas em que não há qualquer racionalidade no meu pensar.

Mas tens que agarrar um caminho, tomar as rédias da tua vida.

Qual vida? Sonhos…

Não digas isso, sabes que não é verdade. E todos os que te têm apoiado? E os teus pais? E esses objectivos que tão bem sabes traçar quando estás optimista?

Pareço bipolar, eu sei. Tem dias, tem horas…

E a tua força?

Há momentos em que não sei dela. Perco-a por entre pensamentos e angústias.

Pensa em ti, somente em ti. Pensa que não querias continuar nas condições que te punham. Pensa no que mereces. Pensa que te podes deitar com a consciência tranquila – mais uma vez foste tu, do início ao fim. E sê feliz! Porque a felicidade pode ter várias formas, várias caras.

Não quero mais dizer que vou tentar. Quero ter a certeza que o vou fazer. Ajudas-me?

Claro que sim, claro que ajudo. Hei-de ser a força quando a perderes.





21 05 2008

Exercícios de auto-mentalização: 10 flexões do pensamento quando ele teima em dizer «saudades»; 30 minutos de corrida por uma vida da qual sou o centro único; relaxamento do músculo coração.

Evitar: conversas em demasia com o diabinho e o anjinho que se sentam no ombro e teimam em divagar.

Pára! Porque insistes
em ouvir quem não te quer falar?
Pára de fazer figuras tristes!
Pára!, deixa em paz quem nunca se vai ver no teu lugar.
Que mania tu tens de nos pôr todos a pensar
como se nos preocupássemos uns com os outros!

Eu sei, é difícil resistir se nos sentimos sós,
mas sozinhos entendemos bem o que buscar.
No meio de tanta confusão
é natural tentar forçar quem não nos percebe
a gostar de nós
e a dizer-nos que o esforço vale a pena.

Eu cá vou bem, não me dói demasiado.
Só dava o que tenho pra ver alguém do meu lado.

O que ontem foi
hoje tu já não consegues mudar.
Porque continuas a tentar?
Dá-te gozo imaginar aquilo que seria teu
se tivesses feito o que não fizeste,
e o que serias se não fosses o que realmente és?

Eu cá vou bem, não me dói demasiado.
Só dava o que tenho pra ver alguém do meu lado.

Nuno Prata





18 05 2008

Esquizofrenia.

Abre-se uma garrafa e ali se despeja toda uma vida em que se investiu sangue e suor, de orgasmos e falhanços dilacerantes. Chora-se, grita-se, arranha-se paredes até fazer sangue nas mãos que já tocaram naquele corpo.

De feridas abertas… restam mais 6 vidas… e volta a esperança de um não-sei-mais-quê-que-virá.





18 05 2008

À Lua.

Uma flor eterna e uma missiva acertada. Um abraço igual aos de sempre, ainda mais condimentado com as saudades. Um sorriso acolhedor, ainda mais bonito. Memórias. Desejos. Lágrimas contidas pela vontade de sorrir a cada segundo e aproveitar, sugar, toda a amizade concentrada em minutos que valeram por horas.

Pintas os meus dias com esse talento que um dia te deram, que um dia quiseram tirar-te e por que lutaste, contra essa figura que dizem maior, a maior batalha. Mostras-me que maiores somos nós, quando cremos nisso mesmo e lutamos pelo mais ínfimo pormenor. Espero que te orgulhes da dignidade com que tento levar tudo isto, fiel aos meus príncipios, mesmo que isso implique lutar contra um batalhão que por vezes esmaga e mortifica. Faço-o por mim, porque me sinto capaz a cada golfada de ar e fugaz descanso, mas também com o desejo de ser sempre melhor para aqueles que acreditam nos meus mergulhos de cabeça.

Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo…


Fernando Pessoa

Conta com o teu lugar nele pois terá sido com o teu alento que eu um dia me afastarei da obra, admirarei e sentirei que, missão cumprida, posso então descansar.





17 05 2008

O mundo é assim: uma esfera que gira sem pedir autorização e dá dia a um dos lados sujeitando o outro à noite escura. Nada há a fazer quando nos calha o breu. Não adianta fugir pois sabemos que o lugar solarengo não tarda a sucumbir. Resta esperar pelo sinal do galo a avisar que por umas horas o sol irá, radiante, cegar-nos os olhos. E acender as estrelas, as amigas estrelas, e o luar para que a estadia seja menos penosa.

Tenho medo do escuro mas o meu lugar é aqui onde se cruzam os pássaros e, olhando para o céu, me fazem sonhar com os voos que ainda tenho para dar. Parti uma asa mas mal o sol nasça irei lançar-me de novo ao imenso azul.